segunda-feira, 3 de agosto de 2009

A Biocomplexografia de Donatto Leão - Parte 6

Me dêem as boas vindas de volta. Peço desculpas.

Para não ficar muito tempo parado até que eu edite os capítulos, como não tenho muito tempo e como não quero também postar algo sem revisar antes (ainda mais algo escrito há um bom tempo atrás), vou intercalar os capítulos de Donatto com outras postagens, menores, mas que não precisem de edição. Acho melhor assim, ficar longe daqui é incômodo, fica todo o dia aquele pensamento "Atualizar o blog..." me condenando, então, vou ver se assim melhora...
Abraços BEEEMMM AMARELOS!
fuii!!

***************************************************************


Capítulo 6 – Garanhão?

. Ouvi muito falar nos efeitos construtivos que o Ômega 3 possui para a manutenção do corpo humano, principalmente nos idosos, fortalecendo ossos e auxiliando no tratamento de doenças causadas pela idade avançada ou mesmo disfunções genéticas, fora que consumindo um peixe, por exemplo, além de ingerir o tal ômega 3, você ingere proteínas em proporções iguais ou maiores no caso de ingerirmos uma carne bovina ou suína, mas com a vantagem ainda de consumir menos gorduras.
. Pra que toda essa cultura inútil? Simples: esses estudos acima, por mais que comprovados, nunca foram comprovados na prática por mim (claro, em curto prazo), mas o efeito encorajador, relaxante e libertador no que o álcool nos causa, bem, foi comprovado na prática.
. Terminamos o almoço, fui para a sala, fugindo do olhar curioso de minha avó, depois de passar o almoço todo quieto depois daquele “Menina?”; ainda mais porque minha memória não me negou nada do que Paco tinha dito. Relembrei todos os fatos e desmistifiquei que bêbado perde a memória. Se a perde, é por vergonha, e eu estava com muita!
. Para ser sincero, não precisava ter vergonha alguma, porque não teve nenhum mico memorável na noite, mas o que eu disse, o que rolou com as meninas e o que eu fiz, não era normal para uma espécie rara como a minha, e não queria que a vó Luzia soubesse.
. Paco veio ao meu encontro, e foi dizendo:
. - Quer conversar? – deu uma risada cínica depois.
. - Como eu fiz tudo aquilo? – perguntei com certo humor.
. - Normal, você tem um potencial inacreditável, só você que não sabia disso!
. - Devia saber sim, mas nunca precisei.
. - Aí que você se engana, Don, você sempre precisou. Muita coisa na vida nós precisamos de atitude, encarar desafios, perder a vergonha! Não é só na gandaia não!
. Por mais que achasse o Paco um cara fútil, ele começou a se mostrar um cara muito inteligente, ao contrário totalmente de minha impressão antiga dele. Mas às vezes parecia que era sim aquele cara fútil e gandaieiro.
. Conversamos durante horas, e depois de muitas risadas decidi ficar aquela semana na casa de minha avó Luzia. Meus pais e irmãos não estavam em casa mesmo.
. Para não deixá-los na mão, meus amigos, vou contar tudo o que aconteceu, ou melhor, tudo que eu acho que aconteceu comigo naquela noite, a primeira de muitas que aconteceriam depois. É aquele velho ditado: “Quando abre a porteira...”

***

. Depois de conversarmos sobre a minha “perda de virgindade tardia”, Paco me deu uma cerveja na mão. Fechei os olhos, tomei metade da long neck em uma golada só. Amargou tudo, deu sensação estranha, estufou meu estômago, parecia que tinha comido 1 kg de feijoada.
. Respirei um pouco, e tomei outra golada. Para um principiante na cerveja, ainda mais um principiante que sempre odiou cerveja, não fui nada mal.
. Paco, gostando do que via, já me trouxe outra garrafa e falou para que eu mandasse a ver. E mandei mesmo.
. Três garrafinhas de long neck depois eu me lembro de sentarmos em uma mesinha, um pouco mais distante do centro do Villa Hall Café, onde ficava o bar. Do nosso lado, uma mesa com quatro amigas. Eu e o meu olhar discreto; o Paco e o olhar totalmente indiscreto, direto e reto, para a mesa delas.
. Encarávamos, ambos com nosso jeito, as meninas. Podia não ser o pop star das meninas e nem levar jeito na época de como abordar uma garota, levar um papo e “pegar amizade”, digamos assim; mas uma coisa eu sempre tive, e acho que todos nós temos desde que nascemos: gosto; e eu era bem enjoado.
. Das quatro garotas, duas eram “top models”, e as outras duas, bem, é como qualquer ciclo de amizade feminina, uma era simpática e a outra não tinha jeito mesmo, era feia a coitada. É claro que em aspecto de beleza, as coisas são relativas, e a melhor teoria para definição de beleza o Paco, como sempre, me descreveu:
. “Beleza na balada importa. Não podemos denegrir nossa imagem e a parceira talvez nem precise nos dar o nome ou telefone. Portanto, em balada, a mulher tem que ser "quente".
. Para amizade, qualquer mulher que seja inteligente e legal é ideal, independente da beleza exterior dela, mas claro, se a amiga é mais feia (no seu conceito) é melhor, porque não se mistura desejo com amizade, nem seu, nem dela.
. Para namorar, casar ou coisa do tipo, precisamos de um meio termo, uma pessoa que combine com a gente, seja legal em grande parte do tempo, não sempre, não dá, e também que seja bonita, nem precisa ser linda, afinal todo mundo envelhece. Agora, vaidade importa. Uma mulher que sempre está na moda, se cuida, pinta os fios brancos da cabeleira, cheirosa etc., ah sim, isso é obrigação, mas de todas! Amigas, baladeiras e principalmente da sua própria mulher!
. O pior de tudo, é que toda essa teoria vai por água abaixo, porque gosto, não se discute!”
. Acho que ele falou tudo, e nenhuma pessoa até hoje me descreveu melhor. E por mais que eu tenha sido exigente até os meus 26 anos, eu continuei depois. Mesmo com toda minha inocência e ignorância com relação a relacionamentos, sempre valorizei mais beleza externa do que interna, e deu no que deu com a minha “querida” ex.!
. Voltando à balada, eu não sei que força me impulsionava, mas meu olhar tímido se transformou em um olhar conquistador, e uma das meninas mais bonitas, uma loirinha maravilhosa, estava me mirando. Se os olhos dela fossem o cano de um fuzil, com certeza no outro dia estava sendo velado, e não conversando constrangido com o Paco.
. De repente, Paco rompe o silêncio causado pelas trocas de olhares:
. - Vamos lá, vamos pedir para juntarmos as mesas!
. - Como assim, elas não conhecem a gente!
. - Caramba Don! E você acha que seu pai nasceu já conhecendo sua mãe? “Quem não se comunica, não se trumbica!” – disse a frase célebre do Chacrinha e riu em seguida.
. - Tudo bem, vamos lá então! – não sei da onde vinha essa minha força. Como disse, deve ser o efeito encorajador da bebida.
. - Mas Don, o seguinte, você fala com elas!
. - O quê? Nem pensar! Eu não consigo falar com mulher! Me dá gagueira, sério, Paco!
. - Larga de boilice, primo! Vai lá! Dá a iniciativa, um “Com licença”, depois um “Boa noite, vocês estão acompanhadas?”. Começa assim, só isso, o resto deixa comigo.
. Me levantei, e confesso que não sei da onde tirei a coragem, como disse, e pela primeira vez sem gaguejar nenhuma vez ao falar com uma mulher eu disse. E disse mais.
. Cheguei ao lado das meninas, puxei uma cadeira e desandei a falar. Nisso, Paco impressionado com a cena, pegou outra cadeira e se sentou. Me sentei ao lado da tal “loirinha” que me encarava incessantemente.
. Conversamos durante horas, e as meninas, todas estudantes de Odontologia, tinham um papo muito bom, além de legais. Rafaela, Alessandra, Paula e Fabíola (a “minha” loirinha), todas de 22 anos, exceto a Rafaela que tinha 23.
. Paco se interessou pela Rafaela, também muito linda, e um sorriso exuberante. Era morena, olhos negros, pele branca, bronzeada de sol. Tinha um sotaque nitidamente carioca, mas não tinha muito sebo. Ele não fez muita tempestade e em 1 hora de conversa, o papo bom e o “algo a mais” que ele tinha (não vou de jeito algum falar que ele era bonito, então subentende-se, e como sabem, beleza era de família!), logo já estava aos beijos com a Rafa.
. Na hora, confesso, fiquei um pouco sem reação, porque estava me enturmando ainda, e também achava que minha autoconfiança vinha do Paco, não de mim.
. Quando ele me abandonou, ou melhor, quando ele estava e não estava do meu lado, fiquei me sentindo acuado, com três garotas me encarando e principalmente aquela gata maravilhosa.
. Para meu desconforto, ou para dar continuidade no assunto, Fabíola disse às outras garotas:
. - Meninas, que tal vocês irem dançar um pouco, não esperem por mim, estou cansada! – depois que falou isso, me encarou como se eu fosse fazer algo: pobre garota.
. - Ok amor, até mais então! – disse a Alê e ambas Alessandra e Paula foram para mais perto da bandinha que tinha acabado de entrar e tocava um rock de boa qualidade.
. Deste momento em diante, já devia ter bebido mais um pouco quando por um impulso humanamente legal parei de beber, pois tinha encontrado o limiar entre ficar comunicável e jogado na calçada às 8h da manhã.
. Aproveitei este ápice, e desta vez humamanente improvável desenvolvi uma das frases mais corajosas que já disse em toda a minha vida (a mais corajosa, até aquele dia):
. - Fabi, posso te chamar assim? – ela deu um sorrisinho – não sou um xavequeiro de primeira, não sei se sou bonito ou não, mas sei que não parei de olhar um segundo sequer a esse seu maravilhoso sorriso...
. - Porque você... – interrompendo a contrargumentação dela, a beijei depois que um impulso doido me empurrou para frente de tal maneira que não tive o que fazer; meu corpo estava conspirando contra meu cérebro, ou minha alma, ou sei lá o que coordenava minha excessa timidez.
. Os dois casais ficaram depois um bom tempo conversando, depois dançamos (sim, eu dancei, cantei e quase fui dar uma palhinha no palco) e fomos embora, quase 8h da manhã. Claro, estava acabado, e o Paco, estava extasiado, e não era pela menina, era por mim.
. - Pegou o telefone daquela gracinha? – perguntou o Paco.
. - Ela me pediu, eu dei, e nem precisei pedir, porque logo depois ela me ligou e me mandou gravar na agenda do meu celular.
. - Muito bom primão!
. Foi a primeira vez que encontrei utilidade para um celular.

2 comentários:

Andarilho disse...

Muito bom, eu já estava sentindo falta do Donatto e suas peripécias.

E, assim como toda piada tem sua frase de impacto, seu texto não podia deixar de ser assim: "foi a primeira vez que encontrei utilidade para um celular."

E, de forma estupenda, você terminou o texto. Dá para entender muito sobre esse Donatto, após tantas desvirginações, ele conclui com algo completamente não relacionado.

Josy disse...

Estupendo como sempre!
Muito bom mesmo, também já estava sentindo falta das opiniões amarelas...

Abraço e boas voltas.